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OS ONZE PRIMEIROS ANOS DE EXISTÊNCIA DA ACADEMIA MATO-GROSSENSE DE LETRAS

A criação, constituição e vida intelectual do Centro Matogrossense de Letras

1921-1932

Elizabeth Madureira Siqueira

 

nossa historia

Durante o século XVIII, a história de mato Grosso esteve intimamente atrelada a questões geo-políticas, sendo que da parte cultural muito pouco conhecemos, a não ser informações esparsas sobre a existência de algumas aulas régias, a apresentação de peças teatrais e trabalhos de escultores responsáveis por grande parte do atual acervo de arte sacra.

No século seguinte, até pelo menos, a primeira metade, reproduziu-se o cenário colonial, sendo que o grande marco de transformação regional está ficando a partir de 1870, marcado pela abertura da navegação pelo Rio Paraguai, via estuário do Rio da Prata, aquavia através da qual penetrou em Mato Grosso não somente capital e maquinaria estrangeiros, mas também novas idéias e, especialmente, novas formas de comunicação.

Atrelado a esse movimento, o sistema educacional, já institucionalizado, a partir da constituição de 1824, através do corpo legislativo, ganhou força com o Ato Adicional (1834) e da Lei de 15 de outubro de 1827, quando a instrução primária e secundária deixaram de ser uma responsabilidade do governo central para ficar à cargo do Presidente da província e da Assembléia legislativa a partir de 1835, ano que marcou o inicio dos trabalhos legislativos em Mato Grosso.

O ensino primário, tão somente, não fora capaz de congregar um grupo de pensadores regionais, porem, a criação dos estudos secundários iniciados pelo Seminário da Conceição e mais tarde com o Liceu Cuiabano, ensejaram o surgimento de um grupo de intelectuais responsável não somente pela formação dos jovens, mas, também, pelo seu encaminhamento nos estudos superiores junto aos centros mais avançados da época – Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Rio Grande. Estes jovens retornavam a Mato Grosso trazendo bagagem de conhecimentos adquiridos e desejando, naturalmente, estimular estudos e pesquisas sobre a realidade regional.

Foi esse grupo, em 1919, o grande responsável pela fundação do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, o qual teria como tarefa não somente resgatar e preservar a documentação histórica regional, como, também, promover, no interior da instituição, debates e discussões que fossem capazes de interferir no cenário político-cultural de Mato Grosso.

 

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1921

 nossa historia fundacao

 

MAIO

Dois anos após a fundação do Instituto Histórico, esse mesmo grupo fundou o centro Matogrossense de Letras, instituição que, após 11 anos, daria nascimento à atual Academia Matogrossense de letras. Para a criação oficial do Centro, um grupo de 12 intelectuais se reuniu, a 22 de maio de 1921, para articular a criação do organismo. Os componentes desse grupo embrionário, considerados Sócios Fundadores, foram:

Sócios Fundadores
OrdemNome
01 D. Francisco de Aquino Corrêa
02 José de Mesquita
03 Larapine Ferreira Mendes
04 João Barbosa de Faria
05 Estevão de Mendonça
06 Miguel Carmo de Oliveira Mello
07 Carlos Gomes Borralho
08 Cesário da Silva Prado
09 Philogonio de Paula Corrêa
10 João Cunha
11 Virgílio Corrêa Filho
12 Franklin Cassiano da Silva

 

Estes 12 membros, na mesma reunião de 22 de maio, estabeleceram que o Centro Matogrossense de Letras seria composto de 12 Sócios Fundadores os quais, através de uma Comissão, escolheriam os 12 Sócios Efetivos, compondo, dessa forma, o quadro inicial da Instituição. Faziam parte desta Comissão Jose de Mesquita, Estevão de Mendonça, Philogonio de Paula Corrêa e por Virgílio Corrêa Filho. Nessa mesma reunião, ficou ainda resolvido que o Centro poderia se constituir de ilimitado número de sócios correspondentes, indicados, através de proposta, pelos membros efetivos e/ou fundadores. Da mesma forma, ficou estabelecido que cada um dos 24 sócios deveria, obrigatoriamente, apresentar um trabalho de elogio ao Patrono da Cadeira ocupada.

 

JUNHO

Uma segunda reunião se deu, ainda em caráter preparatório, a 05 de junho do mesmo ano, na qual apresentou-se a lista dos 12 Patronos, escolhidos pelos 12 Sócios Fundadores:

Patronos
OrdemNome
01 Amâncio Pulchério de França
02 Padre Ernesto Camilo Barreto
03 Francisco Catarino
04 Joaquim Mendes Malheiros
05 Joaquim Murtinho
06 José Barbosa de Sá
07 Padre José da Silva Guimarães
08 José Tomás
09 Luís d’Alincourt
10 Manuel Esperidião da Costa Marques
11 José Antonio Pimenta Bueno
12 Veiga Cabral

 

A estes 12 patronos, deveriam ser acrescidos mais 12 escolhidos por uma Comissão, quando o quadro dos 24 Sócios estivesse completo. Nessa mesma reunião, Estevão de Mendonça propôs os nomes de Ulisses Cuiabano e de Ana Luiza da Silva prado para sócios efetivos, tendo feito o mesmo Jose de mesquita, apresentando Palmiro pimenta e, Virgílio Corrêa Filho, apresentando o Desembargador Augusto Cavalcanti.

Na terceira reunião preparatória, ocorrida a 19 de junho, tomaram posse os sócios efetivos Augusto Cavalcanti, Palmiro Pimenta e Ulisses Cuiabano, tendo ainda sido apresentados, por José de Mesquita, o nome de José Magno da Silva Pereira e, por Lamartine Mendes, o de Otávio Cunha, para integrar o quadro dos sócios efetivos. Nessa mesma reunião, foram discutidos os princípios básicos que regeriam o Estatuto do Centro Matogrossense de letras.

 

JULHO

Na quarta reunião preparatória, transcorrida a 03 de julho, tomou posse José magno da Silva Pereira, tendo, na mesma ocasião, sido propostos mais 4 nomes para compor o quadro dos sócios efetivos: por José de Mesquita, o nome de Joaquim Gaudie de Aquino Corrêa; por Virgílio Corrêa Filho, o nome de Leovegildo Martins de Mello; por Cesário da Silva Prado, o nome de Raul Vilá por Estevão de Mendonça, o nome de Manuel Pais de Oliveira.

A posse dos três primeiros, se deu na reunião seguinte, a 17 de julho, momento em que foi lido um ofício de agradecimento de José Raul Vilá, por ter sido indicado como sócio efetivo. Nessa mesma sessão, a sócia fundadora, Ana Luiza da Silva Prado propõe o nome de Antonio Fernandes de Souza para sócio efetivo, tendo feito o mesmo, um grupo de três sócios fundadores, apresentando o nome de Manoel Xavier Paes Barreto. Nessa mesma reunião, deu-se prosseguimento à discussão do Estatuto.

As posses de Manoel Xavier Paes Barreto, José Raul Vilá e Antonio Fernandes de Souza se deram na reunião seguinte, transcorrida a 07 de agosto de 1921, momento em que se completou o quatro dos 24 sócios do Centro Matogrossense de Letras, com a designação dos mesmos por número de Cadeira por seus respectivos Patronos:

Cadeiras, Patronos e os Primeiros Ocupantes
CadeiraPatrono1º Ocupante
01 Amâncio Pulchério José Raul Vilá
02 Antonio Corrêa da Costa Virgílio Corrêa Filho
03 Barão de Melgaço Estevão de Mendonça
04 Couto de Magalhães José de Mesquita
05 Ernesto Camilo Barreto (Padre) Leovegildo Martins de Melo
06 Francisco Catarino Ana Luiza da Silva Prado
07 Frederico Prado João Cunha
08 João Severiano da Fonseca Carlos Borralho
09 Joaquim Mendes Malheiros Augusto Cavalcanti de Melo
10 Joaquim Murtinho Joaquim Gaudie de A. Corrêa
11 José Barbosa de Sá Manoel Paes de Oliveira
12 José Delfino da Silva Lamartine Ferreira Mendes
13 José Estevão Corrêa Philogonio de P. Corrêa
14 José Manoel da Siqueira (Padre) D. Francisco de Aquino Corrêa
15 José da Silva Guimarães (Cônego) Manuel X. P. Barreto
16 José Tomás de Almeida Serra Ulisses Cuyabano
17 Luís d’Alincourt Antonio Fernandes de Souza
18 Manuel Esperidião da Costa Marques Otávio da Cunha
19 Francisco A. Pimenta Bueno José M. da S. Pereira
20 Ramiro de Carvalho Franklin Cassiano da Silva
21 Ricardo Franco de Almeida Serra Miguel Carmo de Oliveira Melo
22 Veiga Cabral Palmiro Pimenta
23 Vieira de Almeida Cesário Prado
24 Visconde de Taunay João Barbosa de Faria

 

Nessa mesma sessão, foi eleita a primeira Diretoria do centro Matogrossense de Letras, assim como aprovados seus Estatutos:

Primeira Diretoria
CargoOcupante
Presidente José de Mesquita
Vice-Presidente Virgílio Corrêa Filho
1º Secretario Philogonio de Paula Corrêa
2º Secretario Lamartine Mendes
Tesoureiro Ana Luiza da Silva Prado
Comissões Redação / Admissão de Sócios / Festividades

 

SETEMBRO

A sessão de Instalação do Centro Matogrossense de Letras se deu a 07 de setembro, ocasião em que presidiu a mesa D. Francisco de Aquino Corrêa, tendo sido responsável pela direção da sessão, Henrique Florence que, no momento, ocupava o cargo de Secretário de Agricultura do Estado. Nessa ocasião tomou posse a primeira Diretoria, tendo o discurso inaugural sido proferido por D. Francisco de Aquino Corrêa e a festividade abrilhantada com parte lítero-musical. Este importante marco da trajetória literária de Mato Grosso foi registrada oficialmente na ata que se segue:

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A primeira sessão de trabalho se deu a 18 de setembro, quando tomou posse da Cadeira 11 Manuel Pais de Oliveira. Nessa mesma ocasião, o presidente, José de Mesquita ofertou à instituição, uma coleção de obras:

- MESQUITA, José de – Poesias;
- BILAC, Olavo – Tarde;
- LOBATO, Monteiro – Urupês;
- LOBATO, Monteiro – Idéias de jeca tatu;
- LOBATO, Monteiro – Onda verde;
- CAMPOS, Humberto de – Mealheiro de Agrippa;
- ANDRADE, Goulart de – Numa Nuvem;
- CEARENSE, Catulo – meu sertão;
- CEARENSE, Catulo – Sertão em flor;
- MOREIRA, Albertino – Vôo nupcial.

Considerando que esta foi a primeira reunião de trabalho, foram apresentados os nomes  de Rosário Congro (por Joaquim Gaudie de Aquino Corrêa), Generoso de Siqueira (por Virgílio Corrêa Filho), Arlindo de Andrade (por José de Mesquita), João Cristião Carstens (por Palmiro Pimenta), para sócios correspondentes.

Estevão de Mendonça, sócio fundador, propôs que a instituição fizesse gestões, junto à Assembléia Legislativa estadual, para a construção de um teatro em Cuiabá, assim como Presidente José de Mesquita, propôs que a mesma Assembléia declarasse o Centro como organismo de utilidade publica, e que se solicitasse, junto à Presidência do Estado, uma sala para o funcionamento da entidade. Nesse mesmo encontro, foram discutidos os artigos que deveriam compor a Revista nº 1 do Centro Matogrossense de Letras.

 

OUTUBRO

A segunda sessão de trabalho se deu a 23 de outubro, quando foram propostos e aprovados os seguintes nomes para sócios correspondentes: Humberto de Campos, Monteiro Lobato, Francisco Mariani Wanderlei, Cesarino Ramos, Rosário Congro, Cristião Carstens, Generoso de Siqueira e Arlindo de Andrade.

Nessa mesma sessão, foi nomeada uma Comissão para exame da planta do futuro Teatro, a ser construído em Cuiabá. Da mesma forma, a Comissão que fora designada para solucionar a questão do espaço físico para funcionamento do Centro se dissolveu, por cumprimento da missão à qual fora designada, pois conseguira, junto ao governo estadual, uma sala continua à Diretoria era da Instrução Publica; deliberou-se o mês de novembro para a realização de Conferencias Literárias, as quais teriam por temática e elogios os Patronos das Cadeiras; igualmente, ficou decidido o envio de um telegrama para Rui Barbosa, cumprimentado-o pela passagem de seu natalício.

 

NOVEMBRO

No mês seguinte, a 13 de novembro, foram admitidos, como sócio correspondentes, Ítrio Corrêa da Costa e Pedro Troy.

Em 18 de dezembro, ultima reunião do ano de 1921, a Comissão de Admissão de sócios aprovou a entrada, na categoria de correspondentes, de Ítrio Corrêa da Costa e Pedro Troy, sendo o primeiro de Campo Grande e o segundo de Santo Antonio do Rio Abaixo (Sto. Antonio do Leverger). Nesta mesma sessão ficou deliberada a data da segunda conferencia a ser proferida por Virgílio Corrêa Filho, qual versaria sobre o Patrono de sua Cadeira, Antonio Corrêa da Costa. Na mesma ocasião, a Comissão de Redação comunicou o lançamento em janeiro do ano seguinte, do 1º numero da Revista do Centro Matogrossense de Letras, José Raul Vilá propôs que se comemorasse, em sessão extraordinária, a morte de Olavo Bilac, o que se deu na sessão seguinte.

 

 

 

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