Não foi uma solenidade oficial. Não houve convites e nada de especial estava programado. Acompanhar a finalização do serviço dos técnicos e ver se tudo ficaria nos conformes. Nada grandioso e nem sofisticado. Apenas simples, corriqueiro e brilhante. Brilhante no sentido de jogar luz, de iluminar, como convém para a ocasião.
"Acho que receberemos uma visita. Alunos e professores de uma escola do Pedra 90", disse Luciene Carvalho, presidente da AML, enquanto acompanhávamos a finalização das luzes na Casa Barão. A visita foi agendada através do instagram. "A Casa é um todo dia intrincado", diagnostica a presidente. E receber cordialmente as pessoas que visitam o espaço, claro, cabe nas diretrizes de quem "habita" a AML: os confrades e confreiras.
Visitação
Duas professoras da Escola Estadual Malik Didier, Oziene Gonçalves da Silva (História) e Regina Maira Frazão (Língua Portuguesa) chegaram, quando já escurecia e as luzes que piscavam começavam a sobressair. Percorremos os espaços da Casa com elas conversando, informalmente, sobre assuntos pertinentes à instituição. Além de Luciene e do cronista, o acadêmico Eduardo Mahon, que integra o Conselho Fiscal da atual direção da AML, também esteve presente.
Oziene e Regina são responsáveis por um projeto desenvolvido pela escola, com foco na Consciência Negra. Um dos desdobramentos dessa ação envolvia pesquisa em torno de personalidades negras. Fernanda Vitória Campos Torres, do 9º ano, adolescente que participa do projeto, descobriu Luciene Carvalho em suas pesquisas. E manifestou sua vontade de conhecê-la pessoalmente.
As professoras fizeram o contato e marcaram a visita, mas, não conseguiram o transporte para levar os alunos. Revelavam uma certa frustração em relação a isso. Assim como a aluna, elas desejavam muito que o encontro ocorresse. E acabou acontecendo.
Um telefonema informou que alguns alunos estavam a caminho. Nesse meio tempo, mais duas pessoas, militantes do meio cultural, juntaram-se a nós: a artista e produtora cultural Margarete Yasmim da Cruz, também conhecida como "rainha do samba"; e o artista performático Tom dos Santos.
Os últimos visitantes chegaram quando já havia escurecido e o efeito das luzes cintilantes se fazia pleno. Fernanda e mais dois colegas do 9º ano, Eloysa Santos Passos e Samuel Elias; foram levados pela mãe de Fernanda, Lucinete Campos Vieira.
Uma nova caminhada pelos cômodos da Casa Barão, pelo pátio externo e conversações em torno dos propósitos da Academia. E finalizamos a visitação na sala da presidência, quando provocamos os alunos para que fizessem indagações. Indagações que resultaram em respostas espontâneas, emoção e cordialidade. A questão da negritude, sempre abordada com poesia e praticidade por Luciene, deu o tom do diálogo. E assim a AML vai mantendo a sua tradição, ao mesmo tempo que consolida a sua proposta de inclusão.
A abertura das portas da Casa para a visitação, pelo menos uma vez por semana, através de agendamento escolar e/ou simplesmente receber pessoas interessadas em conhecer o local está nos planos da AML para 2024.
A iluminação
Até o dia seis de janeiro a Casa Barão permanece com sua decoração natalina. Seis janelas e a porta central receberam contornos iluminados cintilantes. O projeto de iluminação foi possível através de um evento que Luciene Carvalho realizou para a Secretaria Municipal de Cultura de Cuiabá. Como cachê ela solicitou a iluminação da frente da Casa Barão.
OBSERVAÇÃO: com imagens e apoio de Raul Lázaro e Alan de Jesus